Jogada no chão sujo e uma poça de sangue e álcool.
Só reconheci pelo cheiro.
A visão embaçada não ajuda em nada.
A cores são preto, branco e vermelho.
A dedução lógica é a única coisa que ajuda.
"Preto e branco é o chão." - Pensei - "Vermelho é o sangue."
O que mais poderia ser?
A cabeça doia e tudo parecia girar.
Tentei sentar e tombei pra trás batendo a cabeça no chão, de novo.
Dexei a dor me levar.
De barriga pra cima fiquei olhando o teto alto da biblioteca imensa e senti as costas se molharem de sangue.
"Será que cortei muito fundo?"
Aos poucos fui apoiando e me sentei.
Parecia que uma bomba atômica tinha me atingido.
Olhei os pulsos, as ataduras tinham estourado e o sangue tinha parado de jorrar, mas ainda não tinha certeza se parara completamente.
As roupas imundas, uma das minhas correntes havia estourado e eu provavelmente tinha perdido. Todos os anéis em todos os dedos. Eu com certeza teria que comprar uma meia calça arrastão nova, essa já era. A saia jeans rasgara e o corpete preto estava imundo, umas das cordas laterais havia estourado, ótimo.
Me arrastei até a poltrona vermelha e grande mais próxima.
Juntando todas as minhas forças, me sentei nela e dei uma boa olhada na biblioteca.
Jim estava a uns dois metros, sem camisa e com uma garrafa de vinho na mão, desacordado.
"Espero que esse filho da puta não esteja morto."
Tentei ajeitar os cabelos vermelhos, inutilmente, claro, sangue duro no cabelo não é algo muito bom.
Olhei pra trás a procura de alguém vivo, ou ao menos, acordado.
Ninguém.
Marcela e Sandra estavam deitadas juntas no chão.
Marcos tava...bom, meio sentado e meio deitado em uma outra poltrona.
Parei de tentar reconhecer outros rostos, sabia o nome de cada um de cor, mas a minha cabeça parecia prestes a explodir.
Olhei pela enorme janela de vidro que dava para o jardim da frente.
O tempo estava nublado como sempre.
"Ainda bem." -Pensei- "Deve ser por volta das quatro da tarde agora."
Andei até a janela, apertei o botão do lado da estante e as cortinas escuras e grossas começaram a se fechar sozinhas.
Andei, com a cabeça doendo menos já, chutando garrafas vazias pelo caminho e tomando cuidado para não pisar em ninguém.
Cheguei no salão oval de entrada, tinha menos gente ali. Fui pra cozinha. Samantha estava lá, acordada e tentando tirar Susi de cima da mesa.
-Hey Samy.
-Oi Iza, me ajuda aqui?
Peguei as pernas de Susi e ela os braços e colocamos ela no chão.
-Que festa hen Iza?
-Eu faço o possível.
-Como está o Jim?
-Morto eu acho.
-Hum.
Ela pegou um pano e começou a limpar a mesa suja de todas as coisas possíveis.
Quando estávamos quase acabando Jim entrou na cozinha e tropeçou em Susi que estava no chão.
-Merda, porra, que essa mina tá fazendo aqui?
-A mesma coisa que você estava fazendo na biblioteca seu idiota.
-Ah.
Tiramos Susi e Grace que também estavam na cozinha e botamos elas na sala.
-Pelo menos a cozinha tem que estar hábitavel pelo amor da terra.
-Calma Iza, calma.
Abri a geladeira, atrás do que parecia uma infinidade de cervejas, vinhos, vodcas e todos os tipos de bebidas alcoolicas possiveis, achei água.
Sentamos na mesa e ficamos lá, fumando um cigarro, sujos, imundos e fedendo, conversando sobre a festa do dia anterior.
Começei a reparar que eu era a mais suja de todos.
-Nem quero me olhar no espelho.
-Você precisa de um banho e ataduras novas Iza.
-Eu sei, mas só vou fazer isso depois que todos forem embora.
Me levantei e peguei o telefone em cima do balcão e disquei o número que já sabia de cor.
-Alô?
-Senhorita Dortson?
-Eu mesma.
-O serviço de sempre?
-Por favor.
-Estaremos ai em trinta minutos.
-Muito obrigada.
Deliguei o telefone sorrindo, mesmo com a ressaca que estava.
É tão bom essas pessoas que fazem faxina pra você.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
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